Thursday, March 17, 2011

da pertença

Meu endereço é
uma usina, o cais, o porto, o rio

amor em desvario

Moro onde
a alma não se esconde

Quintana, Meireles, Drummond
Pessoa, Leminsky, Poe

Meu destino é
mato, praia, dia, lua, mar

ou qualquer lugar
onde
a poesia seja

AR.

Tuesday, March 08, 2011

da apreensão

De repente
a vida mudou rumos de lugar
o que tínhamos escorreu-me pelas mãos
o teu cheiro não encontro pelo ar


eu tento
fecho os olhos
respirar


mas, lá fora a brisa queima
meu corpo com outras mãos
eu fujo para não te encontrar
eu temo o que possa acontecer


amor,
eu fecho os olhos

tento relaxar

lá fora, há outros destinos
eu temo o que possa acontecer
eu temo, de repente:

A M O R

Monday, February 28, 2011

dos anseios

A boca sem o teu gosto

sente

o peito bater

dormente

os olhos piscam

saudade

o corpo anseia

novidade.

Saturday, February 19, 2011

Plástica ou plástico?

Mágico mundo
este da plástica e dos espelhos


Na forma e na imagem,
põe em ordem tudo que pode ser arrumado


Miragem aos olhos desavisados,
ávidos por conteúdo e significado


Mas a verdade,
côncava,
está lá, refletida em algum lugar:

raso, cuidado!

Não mergulhar.

Thursday, February 17, 2011

do tempo

O tempo vai me assim
Escorrendo pelas mãos
Trinta segundos
Sessenta minutos
Três semanas ou nove meses
Que números são, senão,
batidas subtraídas de meu coração?

Sunday, February 06, 2011

Lembrar é preciso para esquecer

Eu não vou te procurar embaixo de outros lençois,
nem no suor de outros corpos,
ou, entre outros gozos.
Como assombração,
você vai aparecer.
Num gesto, num cálice de vinho, numa palavra,
ou num Chico, tocando ao fundo.
Quando isso acontecer, eu vou olhar e sorrir
o sorriso mais doce que havia guardado para você.
Pois é preciso lembrar do que fui,
para esquecer.

Thursday, January 20, 2011

da paixão

Tropecei no sino que bate em meu peito
Caí em seu ritmo vibrante

dancei
Inebriada pela sensação de estar flutuando

dancei
Eu dançaria eternamente a mesma música,
mas por algum motivo ela parou

DANCEI

Meu coração quis pular pela garganta, depois pelo umbigo e agora ficou assim: inconstante.
Me sinto estranha tentando ouvi-lo.
Sou eu que não quero tropeçar em seu ritmo novamente?
O tempo dirá.
Por enquanto, quero dançar sozinha.

Thursday, December 23, 2010

da separação

Tuas palavras entraram em meu peito como navalha,
cortando a carne desnuda em mil pedaços.
A lágrima que corre da minha face tocando o chão,
é música para os meus ouvidos.
Embala
o meu corpo,
Equilibra
minha alma,
Acalma
meu coração.

Thursday, December 09, 2010

contigo

O meu mundo contigo é inteiro quando
a gente conversa, brinca, namora
a gente se cansa, briga, chora
sente saudades, reata, se adora.


O meu mundo contigo gira quando
a gente se estranha
se beija, se ama
a gente se olha.


O meu mundo contigo é obra de arte
inusitada,
poesia não acabada.

Tempero, cozinha, sal, pimenta e alecrim.


Um céu desenhado com palavras estranhas.

Filosofia.

O meu mundo não é mais MEU.

Wednesday, July 28, 2010

dos vazios

É um exercício lidar com os vazios.
O vazio do travesseiro,
da mesa, do cinema e do chuveiro.
O vazio do umbigo, do tato, do paladar, dos ouvidos e do olfato.
Dos olhos, da saliva e do peito.
Das horas e da poesia.
O vazio do espelho
.

Thursday, April 15, 2010

Autoretrato

Se eu não fosse terra, ar, gêmeos, gente;
Seria
pudim de leite.

Se eu não fosse vaidosa, irriquieta e irritada;
Seria
cocada

Se não fosse curiosa, xereta e desengonçada;
Queijo com goiabada
Se eu fosse um doce;
Seria meio amargo.

Wednesday, March 31, 2010

Mente só


Minha mente faísca e habita o infinito dos porquês
Devora como traças não livros, nem roupas, mas possibilidades impossíveis de acontecer
Minha mente cria gente, desfaz fantasmas, desafia a ficção
Estou lá escravizada cantando com Freud e Jung: "La vie en Rose"
Na sua imensidão, se ela beira ou cheira a loucura, não sei
Minha mente é solidão.

Wednesday, March 24, 2010

E SE?

SE a gente se cruzasse
SE você me procurasse
SE o gozo acontecesse
SE ninguém comentasse

SERIA UM CASO SÉRIO.

Monday, November 23, 2009

Desejos Pendurados

Meus natais tinham uma árvore gigante
Com espelhos coloridos que refletiam os desejos nela pendurados

Certa vez, olhei para um destes espelhos e vi a face de uma criança loira com cabelos cacheados

Ali, seu rosto estava vermelho

Quando olhei para outro espelho, seu rosto estava dourado

Mais um espelho e vi a ceia, os presentes e o menino Jesus todo verde em um presépio iluminado

Vi a àrvore, a casa, as coisas e as pessoas num tom vermelho avibrantado


Depois, vi a àrvore, a casa, as coisas e as pessoas mudarem de lugar, de estação e de cor
De verde para rosa, de rosa para branco e de branco para um cinza prateado

Vi nos espelhos, lá atrás dos óculos, o cabelo loiro cacheado da criança que se admirava com o reflexo das coisas que não entendia
As coisas que hoje são o seu reflexo.


Tuesday, August 11, 2009

da poesia


Companheira de noites mal dormidas,

a poesia é traça prateada que colore meu caderno com fios de luar.

É lá onde me deito, deleito e durmo.

Anjos barrocos embalam meu sonhar.





 


Friday, July 24, 2009

INSTALAÇÃO

Um dedo na boca, um olho no mar e o doce de morango
sujando o verde da poltrona.
3 crianças, seus avós
e um jardim bem cuidado.
17 anos de natação, 19 medalhas
e apenas o não do maiô azul registrado.
Melhores amigas, sorrisos, santos, espirítos, recados
e recortes de jornal.
Assim é a vida: costurada e pendurada com mil alfinetes em meu mural.

Thursday, May 21, 2009

MARCAS

Como a chuva que cai do céu na primavera ausente,




As folhas como lágrimas, em meu rosto vão.




Não são verdes, nem vermelhas, cinzas, ou secas.





As folhas do meu rosto,


amarelas, são.


http://www.poemadia.blogspot.com/

Wednesday, May 20, 2009

Black Out

Da sua boca saíam borboletras
Descobrindo o céu
azul escuro noite
Transformando a madrugada
rosa vinho mel
Invadindo meus sentidos
Brancos, perdidos?
Black out!
Seu hálito cheirava a poesia.

Wednesday, April 22, 2009

Passado

Você passou de carro na rua por mim e eu te vi, mas fingi não vê-lo.
Passou de novo. Eu te vi. Fingi não vê-lo.
Passou mais uma vez, e eu atendi o telefone
para não gritar teu nome.

EU ME SEGUREI NO PRESENTE.

Você, passou.

Tentativas

Tentei, inspirei, transpirei e saiu um poema!
Tá lá, publicado no poemadia (www.poemadia.blogspot.com)
Hoje é o dia de vocês postarem seus comentários!

Bjo, Lúcia Gorini