Thursday, February 26, 2009

Ritual

Pintura de Salvador Dali
O odor na tua boca da carne crua,
perfuma meus instintos de loba.
Afio os dentes e as garras para te soltar em meu corpo, beber os teus olhos, sangrar em teu rosto e uivar para a lua.

Tuesday, February 24, 2009

Alma das Coisas

Arte Gilian Gomes

O guerreiro morreu.
Ao contrário dos índios, não comi sua carne.
Juntei sua lança e a pendurei na parede.
Não fiquei mais bela, mais forte, ou mais sábia.
Fiquei mais lança.
Este poema faz parte do projeto Poema Dia.
Cada dia do mês, dois poetas postam seus poemas no blog
http://www.poemadia.blogspot.com/
O meu é todo dia 22! Clique lá e confira! Divulgue para os seus amigos também!

Tuesday, February 17, 2009

Maturidade

Pequena, contava os dias para o Carnaval.
Lycras, tules coloridos e rosas roubadas de jardins vizinhos,
bailavam comigo noite afora.
Me via Rapunzel, Sherazade ou a Princesa

que seria salva por um príncipe.
Naquela época, não sabia que o carnaval acontece todos os dias.
É só escolher que máscara usar.

Sunday, November 09, 2008

Estrela Bailarina


Uma estrela no céu,
dança um tango com a lua.
Cada passo da estrela,
ilumina toda rua!

Poema selecionado para o "Poemas no Ônibus e no Trem 2009".

Wednesday, November 05, 2008

Frutas Estrelas - Carambolas!!!

Carambolas!
Frutas estrelas caíram do céu no outono.
Carambolas!
Frutas estrelas andaram pela cidade, perfumando a primavera.
Carambolas!
E, no verão, Carambolas!
Frutas estrelas se dividiram e voltaram aos céus.

Saturday, September 27, 2008

Acaso

Não se escolhe ser poeta,
o espanto acontece na ausência presente.
Nas testas franzidas, pele sem rugas,
no apelo dos olhos, a revolta do umbigo.

Tuesday, July 29, 2008

Paixão

Ouvi no assobio do vento um recital,
A alma das palavras estava lá: emaranhada em fios verdes, dançando em cristais coloridos.
Quando tentei desviar do devaneio sonoro, meu peito sangrava.

Monday, July 28, 2008

Alma Feminina

Canso-me da base, do pó, do blush, do rímel e do batom
Dos cabelos escovados até nos dias de febre
De não ser forte para esconder a fragilidade de um cruzar de pernas entrelaçadas
Das botas, do salto alto, da cinta-liga e dos fetiches
O objeto me cansa
A alma (devaneia, faz rima) descansa.

Tuesday, July 01, 2008

Poesia sobre a lembrança

"Se apenas um pote de ambrosia me restasse
Não seria qualquer pote de ambrosia.
Seria aquele com os ovos das galinhas lá de fora,
gemas tão amarelas que deixavam os flocos brilhando como vaga-lumes
Aquele que ficava pendurado como um lampião à meia luz,
adocicando o ar, na última prateleira do armário, que eu nunca alcançava.
O gosto amargo do pote de ambrosia
é tão doce que hoje me enjoa."



Este post é resultado dos exercícios propostos nas aulas da Oficina de Poesia do poeta e escritor Fabrício Carpinejar, da qual faço parte. Mesmo não acreditando em regras para que uma pessoa se torne poeta, decidi conhecer as regras primeiro para depois poder criar as minhas próprias. "Segundo Maiakovski, chama-se poeta justamente o homem (ou mulher) que cria estas regras poéticas."

Monday, June 23, 2008

O quadro

O quadro mudou com a casa
Saiu de casa
Ficou pendurado no aquário
Morou no armário
Cresceu com a família
Só depois achou o seu lugar
Nina ama o quadro que estava na casa da avó.

A Casa

Uma porta aberta no porão
As paredes, o tablado, as fotografias e as àrvores
Tudo cinza agora
Mas, na cozinha ouço crianças brincando
de bilboquê
E o cheiro da moranga caramelada inunda o ar
com tons quase maduros

Thursday, May 29, 2008

"A fotografia é a poesia em imagem"

MARAVILHAS

As pirâmides do deserto?
Grãos de areia
que deram certo.

Wednesday, May 28, 2008

Capitão Francisco Espinosa

Não me ensinaram a sentir saudades
A não ter teu ossinho saltado para massagear
Não me ensinaram a sentir saudades
A não olhar para tua careca cor de rosa e indagar: por quê é cor de rosa a tua careca?
A não ouvir mais a velha história que eu achava que nunca ficaria velha
Não me ensinaram ou eu não quis aprender
Que a fruta cai do pé quando a semente amadurece
Que duas metades de uma laranja que ficaram 50 anos juntas não viveriam um ano separadas
Que o homem das mãos de caramujos na beira da praia ficaria para sempre estampado na memória da garota da saia crepom
Não me ensinaram a sentir saudades e sempre que eu tento o gosto do sal chega antes a minha boca.

Tuesday, May 20, 2008

QUEIXA

Minha queixa é o meu queixo.
Parece um queijo exótico com um furo
no meio,
A lua em sua fase minguante,
lembra o perfil de minha face,
com o queijo exótico cravado em seu semblante,
O furo é minha marca registrada.

Thursday, May 08, 2008

TAMANCO DE MADEIRA

O sapato da minha infância
Foi um tamanco de madeira
Com a cara de um gato estampada
nas suas tiras vermelhas

Meu tamanco era manco
Tinha gingado: um salto quebrado no pé esquerdo
Dava vida ao meu rebolado

Eu era tão criança e quando subia naquele tamanco me descobria tão adulta
Hoje, sou tão adulta e ainda sinto saudades do meu tamanco de infância.

Monday, December 03, 2007

Sarau Varal

Arte Gilian Gomes
No meu varal

Não há calcinhas
vestidos de seda
Ou, calças jeans

No meu varal

Há rosas
Cactus
Jasmins

Demônios
Vinhos
Querubins

Poesia
Pendurada
De cabeça
Para baixo



VARALSARAU

SARAUVARAL









Monday, October 22, 2007

PALHETA

Se eu fosse tua

Seria o teu

S E G R E D O

Viola entre os teus dedos

Seria o teu

B R I N Q U E D O

Viola entre os teus dedos

Se eu fosse tua

Seria S E G R E D O

nosso B R I N Q U E D O

V I O L A

entre os

D E D O S.

Sunday, October 21, 2007

Mulheres

A mulher nunca está só
Tem outra dentro dela
Que dança
Mãe, tia ou avó
Esse corpo
Balança
Pois é também
MULHER CRIANÇA
Delicada, forte e insegura
MULHER MADURA
Cor e alma
Feminina
Eis que surge
MULHER FELINA
Seu reflexo
Na moldura moderna
São mulheres
que inspiram
Outras mulheres
Afrodite
Maria
Madalena
Monalisa
Madonna
Elis
Regina
Espelho
De todas
NÓS

Wednesday, September 19, 2007

Água e sal
no teu olhar
é poesia
ao mar
ah, mar...
água e sal
AMAR!