Tuesday, October 30, 2012

Do ato

Inspiro e só a inspiração não me desvela a poesia.

Guardo o ar no umbigo,

onde nadam pássaros e moram os meus porquês.

Transpiro medos.

Expiro.

O ar soa leve. Rarefeito.

Raro é o efeito do ato de escrever.



Da liberdade

Como ser livre
em um mundo onde tudo nos aprisiona?

conceitos, roupas, ideologias, linguagem?

Só com muita poesia.



 

Tuesday, September 25, 2012

Da pós modernidade

HIPERtexto
HIPERlink
HIPERinformação
HIPERconsumo
HIPERatividade
E os afetos?
HIPERafetados
God Google save us.

Saturday, July 28, 2012

Da janela


Olho a rua

Passa
gente
Passa
dia
Passa
lua
Passa
mês
Passa
ano
Passa
até
poesia

Você,
Não.



Wednesday, May 02, 2012

colcha de retalhos

Minha memória:
uma saudade
bem vivida.

Tuesday, May 01, 2012

de uma certa ilha

Avistei um horizonte inteiro do leme daquele barco:
viagens, filhos, churrasqueira e um deck com piscina

Foi mais que uma chama, um choro, um quadro, uma colcha, ou um secador...
Mais que uma simples paixão

Foi querosene, gasolina
água turva, neblina...

Expectativas
Foi...
AMOR

Nós olhamos o futuro
Esquecemos o presente

Perdemos os dois:
Tu, o BARCO
Eu, o RUMO.

Thursday, September 08, 2011

da cia do travesseiro

Em chamas, 
a vela derrama
monumentos de cera
sobre a cabeceira da cama.
No escuro,
o choro baixinho
molha a seda
sobre o travesseiro da dama.























Monday, August 01, 2011

do verso perdido

E assim amanhece
outro dia
Outra manhã que esconde
e a tarde que não revela...
Quando e onde tranquei sem as chaves?
Procuro até o entardecer
Reviro memórias, discos antigos, dvd's
Canso
E assim anoiteço
Encontro em outras vozes e
só em sonhos 
ela
nitidamente aparece
Assim em mim acontece
a poesia.

Thursday, July 14, 2011

do presente

Te quero só hoje e nenhum outro dia porque

é o tempo presente que nos pertence.

Hoje sou tua.

Hoje és meu.

Se amanhã, me perguntares o que sinto por ti.

Responderei o mesmo que te disse ontem:

Hoje, te amo sempre.

Wednesday, May 04, 2011

do silêncio

O silêncio com sua voz adocicada
grita em alto e bom tom
o que a linguagem
não consegue traduzir em som

Ele nos aperta o peito
com palavras mudas
e rimas um tanto quanto absurdas

Sem nenhum direito
permanece ali
CALADO

Como se nada houvesse
PASSADO.

Thursday, March 17, 2011

da pertença

Meu endereço é
uma usina, o cais, o porto, o rio

amor em desvario

Moro onde
a alma não se esconde

Quintana, Meireles, Drummond
Pessoa, Leminsky, Poe

Meu destino é
mato, praia, dia, lua, mar

ou qualquer lugar
onde
a poesia seja

AR.

Tuesday, March 08, 2011

da apreensão

De repente
a vida mudou rumos de lugar
o que tínhamos escorreu-me pelas mãos
o teu cheiro não encontro pelo ar


eu tento
fecho os olhos
respirar


mas, lá fora a brisa queima
meu corpo com outras mãos
eu fujo para não te encontrar
eu temo o que possa acontecer


amor,
eu fecho os olhos

tento relaxar

lá fora, há outros destinos
eu temo o que possa acontecer
eu temo, de repente:

A M O R

Monday, February 28, 2011

dos anseios

A boca sem o teu gosto

sente

o peito bater

dormente

os olhos piscam

saudade

o corpo anseia

novidade.

Saturday, February 19, 2011

Plástica ou plástico?

Mágico mundo
este da plástica e dos espelhos


Na forma e na imagem,
põe em ordem tudo que pode ser arrumado


Miragem aos olhos desavisados,
ávidos por conteúdo e significado


Mas a verdade,
côncava,
está lá, refletida em algum lugar:

raso, cuidado!

Não mergulhar.

Thursday, February 17, 2011

do tempo

O tempo vai me assim
Escorrendo pelas mãos
Trinta segundos
Sessenta minutos
Três semanas ou nove meses
Que números são, senão,
batidas subtraídas de meu coração?

Sunday, February 06, 2011

Lembrar é preciso para esquecer

Eu não vou te procurar embaixo de outros lençois,
nem no suor de outros corpos,
ou, entre outros gozos.
Como assombração,
você vai aparecer.
Num gesto, num cálice de vinho, numa palavra,
ou num Chico, tocando ao fundo.
Quando isso acontecer, eu vou olhar e sorrir
o sorriso mais doce que havia guardado para você.
Pois é preciso lembrar do que fui,
para esquecer.

Thursday, January 20, 2011

da paixão

Tropecei no sino que bate em meu peito
Caí em seu ritmo vibrante

dancei
Inebriada pela sensação de estar flutuando

dancei
Eu dançaria eternamente a mesma música,
mas por algum motivo ela parou

DANCEI

Meu coração quis pular pela garganta, depois pelo umbigo e agora ficou assim: inconstante.
Me sinto estranha tentando ouvi-lo.
Sou eu que não quero tropeçar em seu ritmo novamente?
O tempo dirá.
Por enquanto, quero dançar sozinha.

Thursday, December 23, 2010

da separação

Tuas palavras entraram em meu peito como navalha,
cortando a carne desnuda em mil pedaços.
A lágrima que corre da minha face tocando o chão,
é música para os meus ouvidos.
Embala
o meu corpo,
Equilibra
minha alma,
Acalma
meu coração.

Thursday, December 09, 2010

contigo

O meu mundo contigo é inteiro quando
a gente conversa, brinca, namora
a gente se cansa, briga, chora
sente saudades, reata, se adora.


O meu mundo contigo gira quando
a gente se estranha
se beija, se ama
a gente se olha.


O meu mundo contigo é obra de arte
inusitada,
poesia não acabada.

Tempero, cozinha, sal, pimenta e alecrim.


Um céu desenhado com palavras estranhas.

Filosofia.

O meu mundo não é mais MEU.

Wednesday, July 28, 2010

dos vazios

É um exercício lidar com os vazios.
O vazio do travesseiro,
da mesa, do cinema e do chuveiro.
O vazio do umbigo, do tato, do paladar, dos ouvidos e do olfato.
Dos olhos, da saliva e do peito.
Das horas e da poesia.
O vazio do espelho
.